Quinta-feira, 5 de Julho de 2007

Objectores com consciência?

Há algo de estranho e de perverso no facto de em grandes hospitais a maioria dos médicos se apresentar com o estatuto de objectores de consciência para a prática do aborto. A crer nas notícias, no Hospital de São Francisco Xavier todos os médicos são objectores, supondo que estamos a falar da valência ginecologia/obstetrícia. Dá que pensar este desfasamento entre o sentir da classe médica e o da sociedade em geral, que votou maioritariamente a favor da despenalização do aborto. Para mais, conhecendo-se a significativa influência que a esquerda tem no sector da saúde. Esperemos que esta intrigante realidade não esconda algo de mais preocupante.
publicado por Luis Euripo às 21:46
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Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007

Mas riem-se de quê?


«Ele e os amigos - todos do movimento Diz Que Não, com idades entre os 23 e os 18 anos - estão na rua a fumar. "Este mês tivemos várias vitórias. Cada pessoa que convencemos de que o aborto é um mal foi uma vitória", diz José Maria Duque. "A vida não acabou hoje. O mais certo é sairmos daqui e irmo-nos divertir". E quando sairão daqui? "Quando a festa acabar."» (Reportagem no Público de hoje sobre a noite do referendo).

Acabados os discursos pungentes, as fanfarras da morte, as colagens de cartazes de fetos despedaçados e as trágicas cartas de fetos às suas malvadas e criminosas mães, a campanha do Não termina em apoteose, em festa e com uns copos. E, como disse o outro, eles andarão por aí.
 

publicado por Luis Euripo às 22:55
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Foi para aparecer no telejornal?

Ontem, perto das 18 horas, seguia eu no carro em direcção à mesa de voto onde iria depositar a minha resposta à pergunta referendária. Sintonizando o rádio, oiço um senhor da Comissão Nacional de Eleições dizendo que a percentagem de votantes estaria nos trinta e poucos por cento e seria muito atrevido prognosticar que chegaria aos 35%. Sendo assim, ia dizendo o dito senhor, de certeza que o referendo não seria vinculativo. Pior: o tom da intervenção deixava nos espíritos a ideia de que já não valeria a pena ir votar. Tudo estaria decidido. Revoltei-me mas atrevi-me a pensar que o número dos tais 35% de votantes ainda poderia ser ultrapassado. Nas ruas assistia-se a um movimento inusitado para uma tarde de domingo, certamente relacionado com a deslocação para os locais de voto. Por momentos imaginei toda aquela gente a dar meia volta para casa.

Não se confirmaram as certezas dos senhores da CNE. A abstenção ficou-se pelos 56%. Agora a questão: sabendo-se como a percentagem da abstenção é decisiva num referendo, nomeadamente para aferir do seu carácter vinculativo, não deveria a CNE ter-se remetido ao silêncio enquanto durava a votação? Imagine-se que as alterações legislativas em causa só avançariam se o referendo alcançasse os mínimos para ser vinculativo. Bastaria que os adeptos do NÃO deixassem de comparecer às urnas. Por esta via, uma minoria conseguiria, de forma menos democrática, um definitivo ascendente sobre a maioria. Estes aspectos do instituto do refendo merecerão ser pensados e revistos. Até lá, pede-se à CNE tento na língua. Já que tem a missão de policiar o processo comece ela própria por ser um exemplo de transparência. Extraordinariamente, o senhor da CNE veio explicar mais tarde que, quando muito, as suas projecções quanto à taxa de abstenção seriam um incentivo à participação de última hora. Pior a emenda que o soneto. Neste particular do referendo, em que a taxa de abstenção é decisiva sob o ponto de vista da sua validação, o papel da CNE deverá ser de absoluta neutralidade.
publicado por Luis Euripo às 18:25
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Referendo

SIM!!!
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publicado por Luis Euripo às 00:56
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Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007

O professor Neves explica

A posição de João César das Neves, ao assumir a criminalização do aborto em quaisquer circunstâncias, inclusive em caso de violação, parece ter causado um terramoto entre os apoiantes do sim e do não. Para mim, nada de novo. O professor Neves limitou-se a ser coerente e a levar às últimas consequências a argumentação do não. Se está em causa uma vida, como defendem os militantes do não, neste caso a vida de um embrião/feto que já é um bebé, como ouço classificá-lo com toda a ternura, não haverá qualquer causa justificativa para o crime do aborto. Em caso de conflito entre a vida da mulher que transporta o feto e a sobrevivência deste, só haveria que deixar a mãe natureza fazer o seu trabalho. Indigna-me muito mais quem, com reserva mental, contorna este incómodo para justificar o seu não. Quem diz não querer alterar a lei e é equívoco quanto à lei actual.
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publicado por Luis Euripo às 18:56
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Perguntar não ofende

O senhor padre dará a extrema unção a um embrião ou a um feto? Um embrião ou um feto poderá ser baptizado?
publicado por Luis Euripo às 00:22
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Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007

Cartaz sem imagem

Vou colar o meu cartaz alusivo ao referendo sobre o aborto. Numa primeira imagem vê-se um daqueles fetos perfeitinhos que os movimentos pelo não gostam de exibir. De preferência sorrindo, nada que não se possa fazer com o Photoshop . Por baixo a legenda: "este bebé pode viver". Numa segunda imagem, paralela, vê-se um outro feto, mas desta vez sem um dos membros superiores. A legenda dirá: "este bebé pode morrer".

Os movimentos pelo não aceitam com naturalidade que um feto mal-formado ou nascido de uma violação pode ser "abatido". Do ponto de vista da alegada "defesa da vida" onde está a coerência?

Dia 11 de Fevereiro vou votar pelo sim.

publicado por Luis Euripo às 23:18
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