Quarta-feira, 8 de Agosto de 2007

A notícia



Em certos jornalistas existe a tentação incontrolável para transformar em notícia o que imaginam passar-se na cabeça dos protagonistas. Sintoma evidente da preguiça, falta de tempo, má-fé ou seja lá o que for que mina a credibilidade da "informação" que se vai produzindo e sobre a qual as corporações representativas do sector não manifestam publicamente a mínima preocupação. Lembro-me de há anos atrás, era o Toni treinador do Benfica que conquistou sofridamente o campeonato nacional, um jornalista de A Bola ter escrito um artigo em que descrevia minuciosamente os mais íntimos pensamentos do pobre do Toni sobre a situação que se vivia no clube. Ocorreu-me esta história a propósito de um post de José António Barreiros no A Revolta das Palavras, que constitui um testemunho precioso dessa técnica jornalística .
publicado por Luis Euripo às 16:52
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Domingo, 1 de Julho de 2007

Efeitos secundários das alterações climatéricas

Sobre o caso do centro de saúde de Vieira do Minho, o Eduardo Pitta já disse (quase) tudo.
publicado por Luis Euripo às 18:34
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Terça-feira, 29 de Maio de 2007

Não quero ser defendido pelo José Manuel Fernandes

"A democracia proporcionou-nos uma maioria absoluta. A liberdade de imprensa defende-nos dos seus abusos." Esta tirada, retirada do editorial de hoje do Público, é da autoria de José Manuel Fernandes, director da publicação. Mas, aqui reside o problema, eu não quero que José Manuel Fernandes me defenda em circunstância alguma. Porém, através do seu jornal, ele detém o poder absoluto  de proclamar que me vai defender. Eu detenho o poder mínimo de escrever neste blog que não  preciso e não quero ser defendido por José Manuel Fernandes. E não tenho qualquer poder quando se trata de o mandar calar para pôr cobro a esta história de defesa e de abusos.

Não quero ser defendido por José Manuel Fernandes porque não gosto do senhor e não tenho qualquer confiança nas suas qualidades de defensor. Os abusos que sobre mim cometam são da minha esfera privada e, a não ser que ensandeça de todo a ler os editoriais de José Manuel Fernandes, a última coisa que faria era recorrer à imprensa para ver defendidos os meus direitos.

No seu elucidativo editorial de hoje, José  Manuel  Fernandes afirma que a comunicação social, tendo presente o seu papel como watchdog "(...) deve estar atenta e vigilante face aos diferentes poderes, submetê-los a permanente escrutínio, e desde que actue de boa-fé, arriscar quando necessário. Por vezes só assim se consegue romper o bloqueio e o secretismo com que certos poderes procuram fugir ao escrutínio público". Entenda-se por "arriscar quando necessário", ver se pega, atirar para o ar umas vagas interpretações criativas de certos factos, com recurso a fontes não identificadas e de credibilidade não escrutinada pelo desprevenido leitor. E já que o escrutínio parece assumir no discurso do director do Público tamanha importância, parece que a sua relevância e efeito são nulos se considerarmos que a queda acentuada de vendas e a situação económica de falência técnica já teriam ditado o encerramento do jornal.

Para rematar o seu editorial, José Manuel Fernandes, fazendo uso do seu poder absoluto como director do jornal, comete a deselegância de responder a uma coluna de opinião publicada na mesma edição, por acaso o colunista Vital Moreira e por acaso uma crónica sob o título "Imprensa militante". Esta supersónica velocidade de resposta contrasta com a penosa publicação do "direito de resposta" previsto na lei, direito que assiste a qualquer cidadão que não quer ser defendido por José Manuel Fernandes e que serve precisamente para nos defender dos abusos da liberdade de imprensa, que parece que também existem, matéria sobre a qual, porém, José Manuel Fernandes não parece interessado em exercer qualquer escrutínio, antes insurgindo-se contra quem tem poderes para o fazer. Daí surge a citação da frase de Thomas Jefferson - "se tivesse de escolher entre a democracia e a liberdade de imprensa, preferia ficar com a liberdade de imprensa" - sobre a qual José Manuel Fernandes condescende em dizer que não é preciso ir tão longe, não deixando todavia de a referir (como mera demonstração de ilustração?).

Todavia, Vital Moreira, a propósito de mais este "acto arriscado" de José Manuel Fernandes, que radica na polémica sobre a Ota, dá uma verdadeira abada. Vale a pena ler no causa nossa.

P.S.: Procurei na net as contas da empresa Público - Comunicação Social S.A., proprietária do jornal, sem sucesso. Tenho alguma curiosidade em conhecê-las, confesso. Para mais são públicas e escrutináveis por qualquer watchdog. Curiosamente, a edição em papel do Público ignora a lei de imprensa, provavelmente emanada de uma qualquer repugnante maioria absoluta (Deus nos defenda!), uma vez que não refere quem é o seu proprietário.
publicado por Luis Euripo às 22:21
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2007

O quarto do poder

A informação que se vai fazendo em Portugal, sobretudo a televisiva, deixa-me incomodado. A guerra das audiências, a todos os níveis, transformou os serviços noticiosos em verdadeiros reality shows. Ora explorando até à náusea as tragédias que vão ocorrendo, ora arvorando-se em juízes/justiceiros de uma causa para a qual ninguém lhes passou procuração. Perante o comportamento generalizado da comunicação social, que nos melhores momentos raia o patético, interrogo-me onde irá parar este poder. A imprensa dita de referência não escapa a este síndrome. É sobretudo especulativa, preguiçosa, vaidosa e pouco factual. Por vezes, noto a insídia de interesses obscuros que conduzem determinadas campanhas, sejam eles económicos ou políticos. Os jornalistas parecem-me meros assalariados que se atropelam na procura de algo que os destaque. Tentam sobreviver.

Estas notas são um mero desabafo. Eu bem sei que as criticas devem ser fundamentadas com factos. Propositadamente não o farei, imitando assim o estilo dominante na comunicação social, do género "os políticos são incompetentes", "os autarcas são corruptos", "o Ronaldo é o melhor do mundo", "há muitos raptos de crianças em Portugal", "vai na cabeça de sicrano", "beltrano vai ser constituído arguido daqui a dois meses", e por aí fora.

Quando alguns sectores políticos nos procuram convencer de que a liberdade de imprensa se encontra ameaçada em Portugal, e por força da acção deste governo em particular, pergunto quem defende a sociedade e os cidadãos do poder muito pouco democrático da comunicação social.

Nota: honra às excepções, que sempre as há.
publicado por Luis Euripo às 22:38
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Segunda-feira, 12 de Março de 2007

Sai mais uma administração pública?

Neste país, toda a gente parece ter opinião sobre a reforma da administração pública. O que é mais extraordinário é que sendo a dita o monstro que parece preencher todo o espaço, continue a ser uma realidade tão pouco conhecida. Começa na ignorância dos governos - todos eles - que se vêem na contingência de ter de contratar sábios para preparar relatórios e medidas de aconselhamento. Depois começa a sair legislação que se vai alterando de legislatura para legislatura, ao ritmo dos novos governos e da produção dos sábios que afinal não eram infalíveis. Um dos mitos que alimenta esta rotina consiste na ideia de que a administração pública se criou a ela própria, o que constitui um excelente álibi para esconder que a mesma é resultado das políticas dos governos, dos partidos que os sustentam e dos eleitores que os legitimam. Logo, tem a responsabilidade de todos nós. Assim, vamos continuando a assistir alegremente ao desfile de ex-ministros das finanças que opinam catedraticamente sobre as suas criações. Tratando-se de coisa pública, bata-se à vontade, como o dono faz ao seu cão.
publicado por Luis Euripo às 17:24
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Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007

Foi para aparecer no telejornal?

Ontem, perto das 18 horas, seguia eu no carro em direcção à mesa de voto onde iria depositar a minha resposta à pergunta referendária. Sintonizando o rádio, oiço um senhor da Comissão Nacional de Eleições dizendo que a percentagem de votantes estaria nos trinta e poucos por cento e seria muito atrevido prognosticar que chegaria aos 35%. Sendo assim, ia dizendo o dito senhor, de certeza que o referendo não seria vinculativo. Pior: o tom da intervenção deixava nos espíritos a ideia de que já não valeria a pena ir votar. Tudo estaria decidido. Revoltei-me mas atrevi-me a pensar que o número dos tais 35% de votantes ainda poderia ser ultrapassado. Nas ruas assistia-se a um movimento inusitado para uma tarde de domingo, certamente relacionado com a deslocação para os locais de voto. Por momentos imaginei toda aquela gente a dar meia volta para casa.

Não se confirmaram as certezas dos senhores da CNE. A abstenção ficou-se pelos 56%. Agora a questão: sabendo-se como a percentagem da abstenção é decisiva num referendo, nomeadamente para aferir do seu carácter vinculativo, não deveria a CNE ter-se remetido ao silêncio enquanto durava a votação? Imagine-se que as alterações legislativas em causa só avançariam se o referendo alcançasse os mínimos para ser vinculativo. Bastaria que os adeptos do NÃO deixassem de comparecer às urnas. Por esta via, uma minoria conseguiria, de forma menos democrática, um definitivo ascendente sobre a maioria. Estes aspectos do instituto do refendo merecerão ser pensados e revistos. Até lá, pede-se à CNE tento na língua. Já que tem a missão de policiar o processo comece ela própria por ser um exemplo de transparência. Extraordinariamente, o senhor da CNE veio explicar mais tarde que, quando muito, as suas projecções quanto à taxa de abstenção seriam um incentivo à participação de última hora. Pior a emenda que o soneto. Neste particular do referendo, em que a taxa de abstenção é decisiva sob o ponto de vista da sua validação, o papel da CNE deverá ser de absoluta neutralidade.
publicado por Luis Euripo às 18:25
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Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007

Ide e adoptai

Quantas crianças aguardam por adopção em Portugal? Muitas. Imensas. Demasiadas. Aguardam em instituições até que haja interessados e sejam reunidas as condições exigidas na lei para que sejam adoptadas. Ao que ouvi, a taxa de adopção é de apenas 2,5%, contra 5% no resto da Europa. Muitas das almas que se comovem com a desprotegida Esmeralda bem podiam deixar os abaixo-assinados, os pedidos de "habeas corpus", as lamentações e os impropérios e ir buscar uma dessas crianças. O problema da Esmeralda, neste momento, não é o dessas crianças rejeitadas. O problema da Esmeralda, bem pelo contrário, é o de ser uma criança disputada por pessoas que reclamam direitos de paternidade. Esmeralda é vítima da sua sorte e do seu destino, mas também vítima das pessoas que, não tenho dúvidas, a amam. No entanto, um amor que não é isento de sentimentos de egoísmo e de posse. E é melhor ficar por aqui.
publicado por Luis Euripo às 21:23
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