Sexta-feira, 17 de Agosto de 2007

A competência exige-se aos outros



Há tempos, neste post, interroguei-me sobre as contas da empresa Público - Comunicação Social S.A ., proprietária do jornal Público. Na verdade, após pesquisa na net, nada encontrei. Ignoro tão pouco se o jornal cumpre a Lei de Imprensa e publica anualmente as contas da empresa. Descubro agora, por via da publicação de uma decisão do Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa que condenou aquela empresa no âmbito de um recurso de um processo de contra-ordenação instaurado pela comissão da Carteira Profissional de Jornalista, que, no ano de 2005, a mesma obteve um resultado líquido do exercício negativo de 8.235.221,98 euros. Qualquer coisa não bate certo com a exigência de excelência e competência tão do agrado do liberal José Manuel Fernandes.
publicado por Luis Euripo às 15:52
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Sexta-feira, 10 de Agosto de 2007

Um negócio mal parado




Os pais de Madeleine procuraram utilizar os media em favor da campanha que desencadearam para descobrir o paradeiro da filha. Em simultâneo, os media usaram os pais de Madeleine para se excitarem e preencherem tempos noticiosos e páginas de jornais. Aparenta ser um negócio justo. No entanto perigoso, como devem começar agora a perceber. E tanto mais perigoso quando, pelo meio, envolve certas promiscuidades com a PJ e fontes que permanecem no segredo dos deuses. Compete-nos o cuidado de olhar distanciadamente para todos estes actos de informação e contra-informação.
publicado por Luis Euripo às 12:34
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Quarta-feira, 8 de Agosto de 2007

A notícia



Em certos jornalistas existe a tentação incontrolável para transformar em notícia o que imaginam passar-se na cabeça dos protagonistas. Sintoma evidente da preguiça, falta de tempo, má-fé ou seja lá o que for que mina a credibilidade da "informação" que se vai produzindo e sobre a qual as corporações representativas do sector não manifestam publicamente a mínima preocupação. Lembro-me de há anos atrás, era o Toni treinador do Benfica que conquistou sofridamente o campeonato nacional, um jornalista de A Bola ter escrito um artigo em que descrevia minuciosamente os mais íntimos pensamentos do pobre do Toni sobre a situação que se vivia no clube. Ocorreu-me esta história a propósito de um post de José António Barreiros no A Revolta das Palavras, que constitui um testemunho precioso dessa técnica jornalística .
publicado por Luis Euripo às 16:52
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Terça-feira, 7 de Agosto de 2007

O veto

Acabo de ler o artigo de Vital Moreira no Público de hoje, de leitura aconselhável para melhor entendimento da matéria do post anterior. Provavelmente a disponibilizar brevemente na aba da causa.
publicado por Luis Euripo às 19:48
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Vamos lá punir como deve ser

"É possível, por conseguinte, que um jornalista pratique um ilícito extremamente grave, com um muito elevado grau de culpa, e a esta conduta só possa aplicar-se a pena mais leve – a advertência registada – enquanto outro jornalista, tendo praticado uma infracção menos grave e com um grau de culpa substancialmente inferior, pode ser suspenso do exercício da actividade profissional. Ou seja, para efeitos de aplicação concreta das penas atribui-se um peso que não pode deixar de considerar-se excessivo à circunstância de o agente ter sido, nos três anos precedentes, objecto de outras sanções disciplinares. Tal representa uma clara limitação da competência, atribuída à Comissão da Carteira Profissional de Jornalista, para decidir livremente e aplicar as sanções que tiver por adequadas em função das circunstâncias concretas dos casos submetidos à sua apreciação, ou seja, em função da gravidade da conduta e do grau de culpa do agente."

Este excerto, perfeitamente exemplar, da "Mensagem do Presidente da República à Assembleia da República, a propósito do diploma que altera o Estatuto dos Jornalistas", diz quase tudo. A fundamentação de Cavaco é técnica e não política. Não está em causa a possibilidade de punir jornalistas e a alegada ofensiva contra a liberdade e o Estado de direito mas sim punir com mais eficácia e justiça. A razão deste trabalho extra da presidência da república de consultoria gratuita ao governo é explicado pelo próprio Presidente: "o diploma ora sujeito a promulgação concitou em seu torno uma vasta controvérsia, seja entre os partidos com expressão parlamentar, seja entre a classe dos jornalistas e suas organizações representativas, seja, enfim, entre empresários da comunicação social, quando seria aconselhável que sobre o mesmo fosse alcançado um entendimento mínimo, atenta a sensibilidade da matéria em causa". Ou seja, houve demasiado ruído produzido por corporações de peso na sociedade portuguesa, o que só por si justifica a maçada de fazer com este diploma o que não fez com tantos outros que já promulgou, igualmente prenhes de incongruências técnicas.

Este Cavaco que apelou, do alto da sua maioria absoluta, "deixem-nos trabalhar!", não deixa de ser surpreendente. Mas é exactamente a mesma pessoa, com mais alguns anos de idade, que denunciava as "forças de bloqueio" que impediam o normal desenvolvimento da acção governativa. O patético da história, vertente sempre do meu agrado, são os cânticos de vitória com que nos embalam os opositores da lei. Será que leram a lei e a mensagem do Presidente da República? Ou serão apenas tontos?
publicado por Luis Euripo às 16:39
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Sábado, 7 de Julho de 2007

"Ser jornalista é chegar atrasado assim que possível"

Genericamente de acordo com Fernanda Câncio quanto à apreciação que faz do estado do jornalismo em Portugal. Quanto às criticas que a corporação manifesta sobre o "violento ataque" do governo à liberdade de imprensa, bom seria que finalmente se socorresse de alguma objectividade. E, já agora, que não se esquecesse de trazer cá para fora o que se passa nas redacções em termos de limitações a essa liberdade.
publicado por Luis Euripo às 00:39
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Sexta-feira, 22 de Junho de 2007

Uma questão de liberdades

O caso de uma telefonista que vendia roupa interior aos colegas do hospital onde exercia funções, o que lhe valeu um processo disciplinar, não mereceu qualquer repercussão nos media. Os tempos eram outros mas vale a saudável conclusão que a liberdade de expressão vale mais que a liberdade de comércio.
publicado por Luis Euripo às 21:33
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Segunda-feira, 18 de Junho de 2007

A entrevista a que temos direito




Pinto da Costa dá hoje uma grande entrevista ao Público. O segundo episódio sairá amanhã, como nas telenovelas. Trata-se, segundo o jornal, de uma entrevista "sem restrição às perguntas". Espanto-me. Esta explicação significa que haverá entrevistas em que os jornalistas aceitam "restrições às perguntas". Pinto da Costa estará mais habituado a entrevistas com as ditas restrições, como se percebe na seguinte passagem:

Pergunta - Alguma vez comprou ou mandou comprar um árbitro para beneficiar o FC Porto?
Resposta - Não. Isso não tem qualquer tipo de cabimento e só lhe respondo porque não faço reservas às perguntas.

P.S.: Ao contrário do que gostaria de acreditar, já não há coincidências nestas coisas. Assim fica registado que nesta fase de gestão de silêncios Pinto da Costa concedeu esta excepção ao Público.
publicado por Luis Euripo às 23:01
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O caderno errou




A propósito deste post, o caderno errou. Na verdade, como tive possibilidade de confirmar na edição de hoje, o Público publica na sua ficha técnica, em todo o esplendor da sua letra pequenina, o nome da entidade proprietária. Fica assim afastada a grave acusação de violação da Lei de Imprensa. As minhas desculpas ao director do jornal.

P.S.: Nos blogs, ao contrário dos jornais, podemos ser sempre um pouco mauzinhos quando rectificamos os nossos erros. E para que não se diga que passo a vida a dizer mal do Público, gosto do novo grafismo e da arrumação geral. Apesar de ter saudades do Público dos primeiros anos e achar Henrique Cayatte um designer genial.
publicado por Luis Euripo às 21:44
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Sexta-feira, 15 de Junho de 2007

Um mundo feliz é um mundo monótono



Num mundo feliz não haveria lugar para esta comunicação social. Não que ela conspire contra nós mas porque vive da nossa fatalidade (imagem: Rooms by the Sea, de Edward Hopper ).
publicado por Luis Euripo às 20:52
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Terça-feira, 29 de Maio de 2007

Não quero ser defendido pelo José Manuel Fernandes

"A democracia proporcionou-nos uma maioria absoluta. A liberdade de imprensa defende-nos dos seus abusos." Esta tirada, retirada do editorial de hoje do Público, é da autoria de José Manuel Fernandes, director da publicação. Mas, aqui reside o problema, eu não quero que José Manuel Fernandes me defenda em circunstância alguma. Porém, através do seu jornal, ele detém o poder absoluto  de proclamar que me vai defender. Eu detenho o poder mínimo de escrever neste blog que não  preciso e não quero ser defendido por José Manuel Fernandes. E não tenho qualquer poder quando se trata de o mandar calar para pôr cobro a esta história de defesa e de abusos.

Não quero ser defendido por José Manuel Fernandes porque não gosto do senhor e não tenho qualquer confiança nas suas qualidades de defensor. Os abusos que sobre mim cometam são da minha esfera privada e, a não ser que ensandeça de todo a ler os editoriais de José Manuel Fernandes, a última coisa que faria era recorrer à imprensa para ver defendidos os meus direitos.

No seu elucidativo editorial de hoje, José  Manuel  Fernandes afirma que a comunicação social, tendo presente o seu papel como watchdog "(...) deve estar atenta e vigilante face aos diferentes poderes, submetê-los a permanente escrutínio, e desde que actue de boa-fé, arriscar quando necessário. Por vezes só assim se consegue romper o bloqueio e o secretismo com que certos poderes procuram fugir ao escrutínio público". Entenda-se por "arriscar quando necessário", ver se pega, atirar para o ar umas vagas interpretações criativas de certos factos, com recurso a fontes não identificadas e de credibilidade não escrutinada pelo desprevenido leitor. E já que o escrutínio parece assumir no discurso do director do Público tamanha importância, parece que a sua relevância e efeito são nulos se considerarmos que a queda acentuada de vendas e a situação económica de falência técnica já teriam ditado o encerramento do jornal.

Para rematar o seu editorial, José Manuel Fernandes, fazendo uso do seu poder absoluto como director do jornal, comete a deselegância de responder a uma coluna de opinião publicada na mesma edição, por acaso o colunista Vital Moreira e por acaso uma crónica sob o título "Imprensa militante". Esta supersónica velocidade de resposta contrasta com a penosa publicação do "direito de resposta" previsto na lei, direito que assiste a qualquer cidadão que não quer ser defendido por José Manuel Fernandes e que serve precisamente para nos defender dos abusos da liberdade de imprensa, que parece que também existem, matéria sobre a qual, porém, José Manuel Fernandes não parece interessado em exercer qualquer escrutínio, antes insurgindo-se contra quem tem poderes para o fazer. Daí surge a citação da frase de Thomas Jefferson - "se tivesse de escolher entre a democracia e a liberdade de imprensa, preferia ficar com a liberdade de imprensa" - sobre a qual José Manuel Fernandes condescende em dizer que não é preciso ir tão longe, não deixando todavia de a referir (como mera demonstração de ilustração?).

Todavia, Vital Moreira, a propósito de mais este "acto arriscado" de José Manuel Fernandes, que radica na polémica sobre a Ota, dá uma verdadeira abada. Vale a pena ler no causa nossa.

P.S.: Procurei na net as contas da empresa Público - Comunicação Social S.A., proprietária do jornal, sem sucesso. Tenho alguma curiosidade em conhecê-las, confesso. Para mais são públicas e escrutináveis por qualquer watchdog. Curiosamente, a edição em papel do Público ignora a lei de imprensa, provavelmente emanada de uma qualquer repugnante maioria absoluta (Deus nos defenda!), uma vez que não refere quem é o seu proprietário.
publicado por Luis Euripo às 22:21
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Segunda-feira, 28 de Maio de 2007

"Lições de jornalismo"

Há matérias sobre as quais, devemos reconhecê-lo, Miguel Sousa Tavares sabe do que fala. Uma delas é o "jornalismo" que se pratica na televisão. No seu blog, Sousa Tavares aborda o tema da lógica da informação televisiva, pegando no caso de Madeleine. Assenta as suas baterias na SIC, mas que bom seria uma desmontagem séria do Jornal Nacional da TVI.
publicado por Luis Euripo às 22:09
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Terça-feira, 22 de Maio de 2007

Lá que é feio é



Não havendo verdadeiras notícias sobre a investigação do desaparecimento de Madeleine, a RTP centra-se na vida dos pais. Se rezam, se não rezam, se acreditam, se não acreditam. Ficamos a saber que receberam uma santinha de Fátima e irão em breve ao santuário da dita cuja. Olho para José Rodrigues dos Santos e penso se terá o hábito de espreitar pelo buraco da fechadura.
publicado por Luis Euripo às 20:13
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Sexta-feira, 18 de Maio de 2007

Opiniões



No 31 da Armada, opinião interessante sobre o futuro (presente?) dos jornais. O pior é impingir opiniões, exercícios adivinhadeiros e desejos como se fossem notícias.
publicado por Luis Euripo às 19:42
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Terça-feira, 15 de Maio de 2007

A ameaça

Nos tempos mais recentes tem-se levantado uma onda de preocupação pelos perigos que correrá a chamada liberdade de imprensa. Invocam-se fundamentos vários, que vão dos poderes da ERC , passam pelo Estatuto do Jornalista, pela Lei da Concentração, pela Lei da Televisão, pela intervenção dos assessores do governo no caso Sócrates e continuam no recente episódio da escolha de Pina Moura para a Media Capital. Sintetiza-se e dá-se de barato o já legendário controlo da RTP pelo governo, argumento transversal a todos os regimes e conjunturas.

Vasco Pulido Valente, com a prosápia que o caracteriza, tem sido um dos paladinos deste levantamento. Em crónica recente no Público, que pode ser lida na íntegra aqui, volta novamente à carga. Caindo num radicalismo absurdo, eleva a actividade jornalística a um patamar quase sagrado. Em nome da liberdade, não deve nem pode o Estado intervir na regulação dessa actividade, nem que seja através de uma entidade independente dos vários poderes públicos. Assim, deverá passar incólume o designado jornalismo de sarjeta, expressão que por agora serve para classificar determinado tipo de práticas. E se candidamente afirma que em Portugal não existe jornalismo de sarjeta (manifesta distracção do cronista), logo parece admitir a sua existência no país (todavia menos sórdido).

Esta respeitável democracia vai criando os seus mitos. Os jornalistas produzem conteúdos informativos para os órgãos de comunicação social. O regime não sobrevive sem uma informação livre mas passará saudavelmente sem a lixeira em que se transformaram muitos desses órgãos de comunicação social. A profissão de jornalista não pode ser declarada inimputável. Para isso já temos o mau exemplo dos juízes. Devem ser punidos os que não cumprem os seus deveres deontológicos, tal como acontece com outros profissionais que exercem funções indispensáveis à democracia e à sociedade. Afinal quem legitima o poder dos media são essencialmente os grandes grupos económicos. Os cidadãos não escolhem os jornais que querem ler. Se o mercado funcionasse nesta actividade económica, muitos jornais, televisões e rádios já teriam encerrado. Tal não acontece porque interesses não declarados assumem anos consecutivos de prejuízos. Esta obscura artificialidade é que me preocupa verdadeiramente.

Não sinto a liberdade de imprensa nem mais nem menos ameaçada com este governo. Vasco Pulido Valente continuará a escrever as suas crónicas para o Público e nós iremos continuar a lê-las, até ao dia em que Belmiro de Azevedo se aborrecer de sustentar aquela gracinha e decidir acabar com o jornal, desfecho que não está ao alcance nem do governo nem da ERC. No fundo, o que este movimento de alarmismo vazio acaba por proporcionar é a proclamação de um estatuto de menoridade moral, ética e intelectual da classe dos jornalistas e dos patrões dos media, ao fim e ao cabo, na opinião dos seus seguidores, desprovidos de qualquer força de carácter para resistir a uma qualquer pressão ou putativa ameaça. E acaba por demonstrar igualmente uma grande desconfiança nesta coisa da democracia.


(clicar para ler o artigo na íntegra)
publicado por Luis Euripo às 20:31
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