Sexta-feira, 17 de Agosto de 2007

A competência exige-se aos outros



Há tempos, neste post, interroguei-me sobre as contas da empresa Público - Comunicação Social S.A ., proprietária do jornal Público. Na verdade, após pesquisa na net, nada encontrei. Ignoro tão pouco se o jornal cumpre a Lei de Imprensa e publica anualmente as contas da empresa. Descubro agora, por via da publicação de uma decisão do Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa que condenou aquela empresa no âmbito de um recurso de um processo de contra-ordenação instaurado pela comissão da Carteira Profissional de Jornalista, que, no ano de 2005, a mesma obteve um resultado líquido do exercício negativo de 8.235.221,98 euros. Qualquer coisa não bate certo com a exigência de excelência e competência tão do agrado do liberal José Manuel Fernandes.
publicado por Luis Euripo às 15:52
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Quarta-feira, 30 de Maio de 2007

É licenciado em ciências militares?

Para um cargo de director de departamento, a Câmara Municipal de Loulé pretende recrutar um licenciado em ciências militares. Se você é engenheiro, gestor, economista, jurista ou possuidor de qualquer outra licenciatura, nem pense em enviar candidatura. Para o exercício do cargo exige-se "competência e aptidão técnica para o exercício de funções de direcção, coordenação e controlo, capacidade de liderança, iniciativa e gestão das motivações e boa capacidade de definição de objectivos de actuação; Formação profissional específica e/ou relacionada com a área funcional posta a concurso", algo que, pelos vistos, só nas academias militares se alcança.

Poderia, ao estilo de José Manuel Fernandes (ver post anterior), "arriscar" e afirmar que este concurso tem retrato. Porém, não o faço. Não sou jornalista, ninguém me dará as informações necessárias e não sou interessado directo no concurso. Ora aqui está um bom caso para "escrutinar".

Os curiosos poderão consultar o Diário da República, II Série, n.º 92, de 14 de Maio de 2007.

Boa sorte!
publicado por Luis Euripo às 10:33
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Terça-feira, 29 de Maio de 2007

Não quero ser defendido pelo José Manuel Fernandes

"A democracia proporcionou-nos uma maioria absoluta. A liberdade de imprensa defende-nos dos seus abusos." Esta tirada, retirada do editorial de hoje do Público, é da autoria de José Manuel Fernandes, director da publicação. Mas, aqui reside o problema, eu não quero que José Manuel Fernandes me defenda em circunstância alguma. Porém, através do seu jornal, ele detém o poder absoluto  de proclamar que me vai defender. Eu detenho o poder mínimo de escrever neste blog que não  preciso e não quero ser defendido por José Manuel Fernandes. E não tenho qualquer poder quando se trata de o mandar calar para pôr cobro a esta história de defesa e de abusos.

Não quero ser defendido por José Manuel Fernandes porque não gosto do senhor e não tenho qualquer confiança nas suas qualidades de defensor. Os abusos que sobre mim cometam são da minha esfera privada e, a não ser que ensandeça de todo a ler os editoriais de José Manuel Fernandes, a última coisa que faria era recorrer à imprensa para ver defendidos os meus direitos.

No seu elucidativo editorial de hoje, José  Manuel  Fernandes afirma que a comunicação social, tendo presente o seu papel como watchdog "(...) deve estar atenta e vigilante face aos diferentes poderes, submetê-los a permanente escrutínio, e desde que actue de boa-fé, arriscar quando necessário. Por vezes só assim se consegue romper o bloqueio e o secretismo com que certos poderes procuram fugir ao escrutínio público". Entenda-se por "arriscar quando necessário", ver se pega, atirar para o ar umas vagas interpretações criativas de certos factos, com recurso a fontes não identificadas e de credibilidade não escrutinada pelo desprevenido leitor. E já que o escrutínio parece assumir no discurso do director do Público tamanha importância, parece que a sua relevância e efeito são nulos se considerarmos que a queda acentuada de vendas e a situação económica de falência técnica já teriam ditado o encerramento do jornal.

Para rematar o seu editorial, José Manuel Fernandes, fazendo uso do seu poder absoluto como director do jornal, comete a deselegância de responder a uma coluna de opinião publicada na mesma edição, por acaso o colunista Vital Moreira e por acaso uma crónica sob o título "Imprensa militante". Esta supersónica velocidade de resposta contrasta com a penosa publicação do "direito de resposta" previsto na lei, direito que assiste a qualquer cidadão que não quer ser defendido por José Manuel Fernandes e que serve precisamente para nos defender dos abusos da liberdade de imprensa, que parece que também existem, matéria sobre a qual, porém, José Manuel Fernandes não parece interessado em exercer qualquer escrutínio, antes insurgindo-se contra quem tem poderes para o fazer. Daí surge a citação da frase de Thomas Jefferson - "se tivesse de escolher entre a democracia e a liberdade de imprensa, preferia ficar com a liberdade de imprensa" - sobre a qual José Manuel Fernandes condescende em dizer que não é preciso ir tão longe, não deixando todavia de a referir (como mera demonstração de ilustração?).

Todavia, Vital Moreira, a propósito de mais este "acto arriscado" de José Manuel Fernandes, que radica na polémica sobre a Ota, dá uma verdadeira abada. Vale a pena ler no causa nossa.

P.S.: Procurei na net as contas da empresa Público - Comunicação Social S.A., proprietária do jornal, sem sucesso. Tenho alguma curiosidade em conhecê-las, confesso. Para mais são públicas e escrutináveis por qualquer watchdog. Curiosamente, a edição em papel do Público ignora a lei de imprensa, provavelmente emanada de uma qualquer repugnante maioria absoluta (Deus nos defenda!), uma vez que não refere quem é o seu proprietário.
publicado por Luis Euripo às 22:21
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